Arquivo de fevereiro, 2011

Os comerciais brasileiros de hoje têm efeitos cada vez mais penetrantes, entram em nossa casa sem bater na porta, predominam em nossos pensamentos sem ao menos percebermos e influenciam – inúmeras vezes – nossas escolhas pessoais. Sabemos que a publicidade brasileira está dentre as melhores do mundo. E mesmo contando com potências que possuem grande qualidade nessa área, é possível generalizar os dias de hoje como uma enorme crise.


Segundo Washington Olivetto, em uma proposta de critica à publicidade brasileira, diz que essa crise de criatividade e identidade não diferencia nosso país de outras partes do mundo, mas lamentavelmente acaba também numa crise de auto-estima e “loucura”.

Amilcar Bettega Barbosa, em trecho de “O crocodilo” expressa a ideia de como hoje estamos acostumados a nos deixar influenciar seja lá pelo o que for. A dúvida e a certeza, assim como a lucidez e a loucura caminham mais juntas do que nunca – em nossos pensamentos, atitudes, críticas, modo de olhar o mundo, etc.


Mudanças, transformações e tendências “rastejam” mansamente em nossas vidas, deixando vestígios (assim como o crocodilo faz no quarto do menino), e causando uma reação automática de modo que nem ao menos pensamos no que está acontecendo e já nos “acostumamos” com o mais absurdo e diferente.

O crocodilo entrou no meu quarto, com passos arrastados que deixaram a ponta do tapete virada. (…) Estou enlouquecendo, pensei, (…) O crocodilo fez um movimento brusco para trás, como quem se defendendo de uma cócega, e me sorriu. Numa reação automática, sorri para ele também (…)

Aos poucos, somos rodeados por aspectos que nos confortam, nos cercam e nos cegam de forma que acabamos deixando de nos preocupar com o contraditório, “enlouquecendo dentro da mais pura normalidade” – coisa que os comerciais brasileiros têm provocado.

Somos um  povo bem-humorado, musical, sensual, romântico e irreverente. Além disso, somos capazes de rir de si próprio, mesmo nos momentos mais difíceis. E são essas características que criam a nossa publicidade: acabamos por ser extremamente receptivos à comunicação comercial.


O texto Papercut descreve uma rotina narrada na 2a pessoa (como se nós – os leitores – estivéssemos vivenciando o que acontece). Desde as mais comuns ações – nascer, aprender a andar, se apaixonar – até as mais incitantes – levar um “pé na bunda”, ter a certeza do sucesso, trocar de faculdade, arranjar um emprego – o autor nos conduz à uma linha de raciocínio que, no início, parece um ciclo vicioso, mas em seguida nos remete a curiosidade do que pode acontecer a seguir, já que bruscas mudanças de pensamentos, atitudes e escolhas desviam qualquer possibilidade de tédio. É mais ou menos assim que encaramos a realidade como um todo, e nela está inserida a publicidade.

Dessa maneira, podemos apelar para o pensamento de que, nos últimos anos, nossa publicidade tem sofrido a exaustão, multiplicando trocadilhos, modificando slogans, alterando sustentações. Olivetto mesmo diz que “se, de um lado, scanners e Photoshops facilitam o dia-a-dia, por outro lado, muitas vezes transformam profissionais de criação em meros reprodutores do já existente”.


É esse caminho que os comerciais brasileiros devem seguir: a grande questão é a revalorização da ideia e o aproveitamento pertinente das atuais boas condições. Cair na rotina, às vezes é normal. Mas o inesperado, o novo, o diferente e o incitante criam caminhos consistentes para que esse trabalho seja reconhecido e bem remunerado.

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YOU’RE BORN.

You learn how to walk.

You start school.

You fall in love.

You get dumped.

You get up again.

You fall in love again.

You get dumped again.

You move on.

You steal a chocolate bar.

You get caught.

You feel ashamed.

You get tired of feeling ashamed.

You escape.

You become an exchange student.

You get into trouble.

You’re sent home.

You fall in love.

You get dumped again.

You get depressed.

You start a band.

You think you’ll succeed.

You get tired of not succeeding.

You becomne an artist instead.

You think you’ll succeed.

You get tired of not succeeding.

You become an apprentice to a painter.

You accidentally inhale the fumes from some poisonous paint.

You are rushed to hospital.

You meet a nurse.

You fall in love.

You get married.

You train as an architect.

You get tired of drawing houses.

You buy a house instead.

You have kids.

You get divorced.

You get back together.

You tell yourself it’s the right thing to do.

You know it’s wrong.

You fight to survive.

You get tired of fighting.

You separate again.

You think about what you want to be when you grow up.

You realise that you are grown up. You go back to university.

You become a journalist.

You get a job at the local paper.

You write an article about the chemical imbalance in the local river.

You write an article about the chanterelle season, which is curiously early this year.

You write a piece about the new born hippo at the local zoo.

You get bored.

You get an offer to become a copywriter at an advertising agency.

You take it.

You are asked to write an ad about the excellent shop PAPERCUT.

You write the ad as if it’s some kind of biography.

You don’t think.

You forget that the purpose of the ad is to let people know that PAPERCUT has stuff they did’n’t even know existed.

You go to KRUKMAKARGATAN 24-26.

You discover a shop that sells the edgy interior design magazine ANTHOLOGY, the exotic cookbook LA CUISINE and the fascinating documentary THE RADIANT CHILD.

You write a sentence that breaks the rythm of the ad.

Hey ho, let’s go.

It’s like a symbol for the fact that this shop offers you something beyond the ordinary. A symbol for the fact that life can be a bit more fun. A bit more interesting. A bit more exciting. Because to be perfectly honest, life isn’t always tha great. And that’s exactly why you need movies, literature and magazines that are just the way your life isn’t.

 


Anúncio This Is Not Your Life, criado pela DDB Estocolmo para a loja Sueca Papercut Shop, que vende livros, revistas, CD’s e DVD’s. Sem muitos detalhes, o texto conta o caminho traçado pelo próprio redator (funcionário da agência responsável para a propaganda da loja).

O resto??

O resto… fica à critério do leitor. O modo que deve se interpretar, encarar, absorver e se identificar com o texto, vai de cada um. Mas a mensagem subliminar da “moral” da história realmente provoca certa interação com cada um de nós. Assino em baixo.

Quando ainda era “novidade” muitas pessoas fizeram o download do Google Earth para brincar de achar suas casas no meio dessa imensidão que é nosso planeta. Com os minuciosos detalhes e a considerável precisão, procurar lugares de nosso interesse pode ser bem divertido, ainda mais quando podemos ver lá de cima.

Hoje, pode ser que nem todos aqueles que baixaram o programa ainda o utilizem, mas parece que arqueólogos recuperaram a ideia de gostar da ferramenta… Não para encontrar suas casas ou algo do tipo; mas sim para acharem possíveis sítios arqueológicos ainda desconhecidos.

E está funcionando: até o momento foram encontrados 1.977 lugares com esse potencial, incluindo 1.082 túmulos de tumbas antigas. David Kennedy, professor da University of Western Australia, é um dos envolvidos nessa nova atividade da ciência. Foi ele quem vasculhou no Google Earth mais de 500 km2 da Península Arábica e acabou por descobrir esses possíveis sítios.

A revista americana New Scientist cobriu toda a história e conta que assim que o professor Kennedy localizou os possíveis pontos, entrou em contato com um amigo (não arqueólogo) que vive na Arábia Saudita pedindo para que ele fosse até dois desses locais para tirar algumas fotos.

Trechos da reportagem confirmam:  “Kennedy confirmou que os sítios eram vestígios de uma antiga vida – ao invés de vegetação ou sombra – perguntando à um amigo não arqueólogo residente da Arábia Saudita, que foi até dois dos locais fotografá-los”.

Ao comparar as imagens fotografadas com as estruturas que Kennedy tem visto em seu trabalho na Jordânia, ele acredita que os sítios podem ser de até 9.000 anos de idade, mas é necessária a verificação do solo. “Só a partir do Google Earth é impossível saber se encontramos uma estrutura de beduínos que foi feita há 150 anos, ou 10 mil anos atrás”, diz ele.

Pois é… Parece que os novos brinquedinhos digitais que antes tinham finalidades consideradas não muito úteis, tem servido para grandes e futuros projetos importantes!!

Fontes:

http://translate.google.com.br

http://valleywag.gawker.com/

http://uoltecnologia.blogosfera.uol.com.br/

http://tecnologia.br.msn.com/